sexta-feira, 17 de março de 2017





Um morcego na minha casa

                                                                                                  Magaly Andriotti Fernandes


Não é a primeira vez que um morcego entra no meu apartamento. Outra duas vezes meus filhos ainda moravam em casa, na primeira eram crianças e na outra, adolescentes.  Foi aquela correria atrás do morcego. Na primeira eu gritava e tentava atacar o morcego com uma vassoura, e ele dava voos rasantes e nos três gritávamos. Até que ele mais assustado que nos vou céu afora.  Na outra meu filho caçula, rápido e rasteiro, jogou uma roupa sobre ele e o libertou na janela.
E nessa vez eu estava sozinha. Normalmente levanto e vou ao banheiro quase que de olhos fechados, mas mal abri os olhos e o vi, e ele a mim. Um mais apavorado que o outro. Ele voo em direção a sala, eu corri para o quarto e me fechei.
Tentei dormir, mas não conseguia, ficava imaginando ele me atacando. Deixei a luz acessa, e ai mesmo que o sono não vinha.  Cogitei em chamar o zelador ou um vizinho. Pensem bem, um morcego, um animalzinho de não menos de 300 gramas, eu uma pessoa adulta, forte, que durante a vida enfrentei diversas situações de alta complexidade. Agora ali acuada, assustada e sem nenhum por que.
Pensei nas histórias infantis terroríficas que meu avô materno contava, onde o morcego estava associado ao Drácula, aquele que sugava sorrateiramente nas noites de lua cheia o sangue das pessoas. Por muitos nãos quando vinha da aula a noite, meu medo maior era do Drácula, e não dos assaltantes, mesmo morando num bairro onde era um tema comum. E se ele fosse o príncipe das trevas??? Levantei peguei uma saia velha, e fui ao seu encontro. Ele mais assustado do que eu, já tinha saído para o espaço.
No outro dia, na dúvida, por orientação de meu filho, informando que morcegos não suportam ruídos, liguei o aspirador de pó, e vasculhei a casa toda. Nem sinal dele. Mudança de estações, os morcegos procriam, trocam de ninho, não sei ao certo o que se passa, mas é o período que nos visitam.
              O estudo do xamanismo nos faz pensar no significado de cada animal em nossas vidas, em nosso cotidiano, e buscando sobre a medicina do morcego, encontrei o seguinte:” É a medicina da iniciação, das habilidades ocultas, dos poderes psíquicos. A habilidade para ver nas sombras, na escuridão. Evocar para expandir conhecimentos intuitivos. A ouvir nossos ecos, como o morcego, e sairmos de confusões. Quando precisamos abandonar velhos hábitos, padrões, comportamentos (morte simbólica), nos abrindo para novas experiências (renascimento).”

            Porto Alegre, 17 março 2017.


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